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    O olhar ao próximo

    A quarta edição da Hospedagem Solidária está sendo realizada desde o dia 19 de maio no salão paroquial da Igreja de Lourdes. O projeto visa o acolhimento das pessoas em situação de rua e a disponibilidade de um local seguro para dormir, jantar e tomar café da manhã no período do inverno. A ação é uma iniciativa da Pastoral da Pessoa em Situação de Rua da Diocese de Caxias do Sul, com o apoio da Fundação de Assistência Social (FAS)/Abordagem Social, Guarda Municipal, Médicos do Mundo e voluntários. 
    Em função da pandemia, diariamente, os Médicos do Mundo aplicam os protocolos da Secretaria da Saúde para identificar
    sintomas da covid-19. Se houver constatação médica da doença a pessoa é encaminhada para uma casa de acolhimento para ficar em isolamento ou posto de saúde. Os estudantes de medicina avaliam também outras doenças e fazem os  encaminhamentos e atendimentos necessários.

    Solidariedade e engajamento comunitário

    A coordenadora, Tere Mandelli, informa que o espaço possui capacidade para 35 pessoas e apenas no mês de maio foram  servidos 350 jantares e cafés da manhã. Para o atendimento, cerca de 80 voluntários se revezam no preparo do alimento,  organização do espaço e acolhimento.
    “Temos tido a ajuda de muita gente com doações de alimentos, roupas, calçados e itens de higiene. Além disso, quem não pode vir ajudar por causa da pandemia, ajuda de casa. Hoje mesmo, uma senhora fez uma sobremesa e nos mandou para servirmos após o jantar. Temos a ‘turma do feijão’ responsável por vir com mais tempo e cozinhar o feijão, que depois é congelado”. Tere completa que é emocionante como a Paróquia de Lourdes está envolvida e engajada na atividade.

    Um “chamado”

    Uma das voluntárias é a Gema Panizzon, que está participando desde a primeira edição e conta ter recebido o “chamado” na missa da Igreja Pio X. “Hoje o cardápio da janta será feijão, arroz, massa com um bom molho e saladas de cenoura e chuchu. A gente vem para ajudar, mas na verdade somos nós que somos ajudados. É obra do Espírito Santo”. Gema afirma que o grupo de voluntários é muito unido e que em função da pandemia quem não pode participar ajuda na retaguarda.

    Em Caxias há poucos dias...

    A Hospedagem Solidária tem pessoas atendidas que todos os anos participam do projeto, mas há os novatos, como é o caso  de David Custódio Duarte, 35 anos, que chegou na cidade há menos de um mês e soube na rodoviária da hospedagem em Lourdes. Natural de Novo Hamburgo, David nasceu com uma malformação e por isso usa cadeira de rodas. Após 13 anos vivendo nas ruas da capital gaúcha, avalia que está muito perigoso por lá e acredita que Caxias seja mais organizada e melhor para viver. Durante o dia, David fica na área central e vende ímãs de geladeira, com artes que ele próprio seleciona na internet pelo celular e depois envia para a impressão gráfica. “Gosto de ler sobre filosofia e teologia e sonho em mudar a situação dos que vivem nas ruas”, porém, ele próprio não pretende sair delas. “Não é normal a gente ter medo da outra pessoa. Procuro o sentido da minha vida em Deus, ele já me tirou de muitas situações difíceis”.



     
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