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    Francisco estabelece ministério de catequista
    Crédito da foto - Vatican News

    O Papa tinha este tema em seu coração já há alguns anos, falou sobre isso na vídeo-mensagem aos participantes de uma conferência internacional sobre o tema, em 2018, quando declarou categoricamente que “o catequista é uma vocação”.
    “Ser catequista, esta é a vocação, não trabalhar como catequista”. E depois acrescentava “esta forma de serviço que se realiza na comunidade cristã” deveria ser reconhecida “como um verdadeiro e genuíno ministério da Igreja”. A convicção amadureceu e tomou a forma do Motu proprio Antiquum ministerium, apresentado no dia 11 de maio.
    O Motu proprio, portanto, estabelece formalmente o ministério de catequista, desenvolvendo a dimensão evangelizadora dos leigos desejada pelo Concílio Vaticano II. Um papel ao qual, disse Francisco, cabe a responsabilidade do “primeiro anúncio”. Em um contexto de “indiferença religiosa - o Papa havia indicado - sua palavra será sempre o primeiro anúncio, 
    que atinge os corações e mentes de tantas pessoas que estão esperando para encontrar Cristo”. 
    Um serviço a ser vivido com intensidade de fé e em dimensão comunitária, como foi sublinhado em 31 de janeiro passado na audiência aos participantes do encontro promovido pelo Departamento Catequético Nacional da Conferência Episcopal
    Italiana. “Este é o momento - disse o Papa - de ser artífices de comunidades abertas que sabem valorizar os talentos de cada um. É o tempo para as comunidades missionárias, livres e abnegadas, que não procuram relevância nem vantagem, mas que percorrem os caminhos do povo do nosso tempo, inclinando-se sobre os que estão à margem. 
    Fonte: Vatican News

    Ministério raiz

    Porque catequese não é aula, a Igreja não é escola e o catequista não é professor. 
    O catequista não faz voluntariado, faz missão. Temos que ser apóstolos missionários, discípulos. Um catequista não “dá aula”. Ele evangeliza. A catequese não deve ser obrigação, mas um momento de ação do Espírito Santo, onde família, crianças, jovens, padres, catequistas e comunidade-Igreja, estão envolvidos. É um novo momento e agora, precisamos muito mais cristãos de verdade e não apenas os que estão nas estatísticas do IBGE. O catequista, como eu sempre digo, não é “qualquer um” que “faz qualquer coisa”, ou “ dá catequese porque não tem o que fazer.” Não, não é assim. O catequista é um escolhido por Deus e ele é fundamental no processo de evangelização da Igreja. No Brasil, somos “milhões” em quase todas as comunidades, sejam elas rurais, indígenas, periféricas ou em grandes centros urbanos. O Papa Francisco é um oásis no meio do deserto. Ele só confirma aquilo que todos os catequistas que levam a sério a missão, já são. Mas independentemente do título, cada um de nós continua sendo catequista, aquela raiz, que faz acontecer quando tudo parece desmoronar, que não desiste quanto todo mundo pede para ir embora. O que o Papa falou e virou notícia, na  verdade não é novidade alguma. Ele falou do catequista raiz, da catequese que vem do coração e do evangelho. 
    Alberto Meneguzzi – catequista e autor dos livros Paixão de Anunciar - Reflexões sobre o dia a dia na catequese e Missão de Anunciar  – De catequista para catequista, ambos editados pela Paulinas.

     
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