Para a Igreja do Brasil, tradicionalmente, o mês de setembro é considerado o “Mês da Bíblia”. Foi escolhido o mês de setembro em virtude da Festa de São Jerônimo, celebrada sempre no dia 30 de setembro, que foi o grande tradutor da Bíblia da língua original para o latim, que na época era a língua mais comum, mais conhecida entre os povos. São Jerônimo é o autor da frase “ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”.
Ao escolher um mês para celebrar a Bíblia, a Igreja, como Mãe e Mestra, nos convida a um maior impulso de contato e intimidade com a Palavra de Deus, não como um simples movimento de leitura, mas para irmos além disso, para nos colocarmos diante da Palavra numa atitude de oração e escuta de Deus.
Por que somos convidados, então, a esta atitude de oração e escuta de Deus através da Bíblia? Assim nos diz a Igreja no Documento Pós-Sinodal Verbum Domini: “Deus pronunciou a sua palavra eterna de modo humano; o seu Verbo se fez carne (Jo 1,14). Esta é a boa nova. Este é o anúncio que atravessa os séculos, tendo chegado até os nossos dias.” Jesus é a Palavra que se fez carne e habitou entre nós, é a partir desta certeza que agora podemos dizer com a Igreja: “a palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz, agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré.”
Há algumas formas práticas de nos aproximarmos da Palavra de Deus, mas aqui indicamos duas que estão à nossa disposição:
Missas - em cada Missa que vamos, participamos da Liturgia da Palavra, que consiste nas leituras que são proclamadas, é Deus que fala ao seu povo e nós, assembleia reunida, ficamos atentos à Palavra do Senhor. Há duas grandes mesas na Sagrada Liturgia Eucarística: a Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia. Alimentar-se da Palavra que fortalece e mantém viva a fé para fazermos parte do Banquete (Eucaristia) que Ele nos prepara;
Lectio Divina - um método de leitura orante da Bíblia, que consiste em 4 (quatro) partes:
1) a leitura do texto, quantas vezes forem necessárias para entendê-lo bem, respondendo à pergunta “o que o texto quer dizer?”;
2) a meditação do texto com o questionamento sobre “o que o texto tem a dizer para mim?”;
3) a oração que é motivada, que é “aquilo que o texto me faz dizer a Deus”;
4) a contemplação consiste na iluminação de nossa consciência com aquela cena da Bíblia que meditamos e que, portanto, nos impulsiona à uma nova atitude, à uma mudança.
Queremos, então, lhe convidar para que a Bíblia seja celebrada e rezada todos os meses do ano, não somente neste Mês em que a comemoramos de forma especial. Jesus Cristo é a Palavra encarnada do Pai, se fez homem como nós, aproximou-se de nós para que também nós possamos nos aproximar d’Ele. Corramos ao Seu encontro, Ele nos espera de braços abertos e disposto a falar conosco!
Por Sérgio Viegas (Seminarista)