“Vós pouco dais quando dais de vossas posses. É quando derdes de vós próprios, é que dais verdadeiramente.” (Gibran
K. Gibran)
Vemos isto apresentar-se muito nos nossos relacionamentos onde preferimos doar do que temos, ao invés de nos dispormos na ajuda, nos colocarmos no lugar de quem precisa e partilhar uma palavra, gesto e mesmo alimento para saciar a fome. Só sabe da dor quem de fato vive a falta do alimento.
A Campanha da Fraternidade deste ano é um apelo para a preservação da vida: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. (Lc 10, 33-34). Este convite é um olhar-se para si próprios e nos perguntarmos ‘qual minha missão, meu envolvimento como cristão junto ao ser humano?’ Por certo, mudanças se farão necessárias em nossa vida. Estamos presentes e preparados para ajudar e cuidar dos que mais precisam?
Neste momento que vivenciamos uma pandemia espalhada pelo mundo todo, as recomendações são de reclusão total. Quantas manifestações, das mais diversas, acompanhamos pelos meios de comunicação social. Porém, algo também vem despertar, a necessidade de revisão dos relacionamentos, das atitudes que praticamos dentro lar, com o cônjuge, os filhos. A vida em família deve ser preservada, e isto é importante para qualquer sociedade. Desta forma, vale lembrar que o casamento é como uma árvore que cresce e estende largamente seus ramos, se ela estiver enraizada numa terra preparada. Só é bem sucedido se o casamento estiver enraizado num ambiente preparado para lhe dar sustentação e que o permita crescer e dar frutos. O casamento não pode viver fora de um ambiente que o sustente: as exigências do amor não podem ser vividas por um casal fechado em si mesmo. A chance de florescer deve ser vivido, de um lado, sob o signo de abertura a Deus, fonte de todo amor e de toda fecundidade, e, de outro lado, sob o signo de abertura aos outros.
A vida conjugal contém grandes riquezas e também grandes exigências. Sejamos abertos para a vida e vida matrimonial e, assim, fazermo-nos presentes junto aos que mais sofrem, como suporte para seus pedidos e necessidades. Pensemos nisto.
Paulo Poletto