•  
     
    Todas as vidas importam?

    Para os cristãos, somente uma resposta é possível para essa pergunta ética fundamental: SIM, todas as vidas importam! Sem nenhuma exceção, absolutamente, em todas as circunstâncias. Nos últimos meses alguns acontecimentos voltaram a nos questionar sobre a urgência de nosso compromisso moral cristão no que se refere ao cuidado, defesa e promoção da vida humana na sua integralidade. Refiro-me a três tragédias emblemáticas dos nossos dias: 1) a atual pandemia do Covid-19, que no Brasil já ultrapassou 127 mil mortes; 2) o assassinato brutal do norte-americano George Floyd, em 25 de maio, que abalou os Estados Unidos, levantando o debate sobre o racismo estrutural de nossa sociedade e questionando a atuação das forças policiais contra a comunidade negra; 3) o caso da menina de 10 anos, no Espírito Santo, vítima de estupro contínuo desde os seis anos de idade, grávida de cinco meses, que teve a gestação interrompida por um aborto provocado no dia 17 de agosto. Poderíamos continuar listando infinitos exemplos de casos em que a dignidade e a sacralidade da vida humana são vilipendiadas diariamente, não apenas com o pecado abominável do aborto, mas nos mais variados contextos. Recordemos aqui as grandes mazelas sociais, culturais e econômicas do nosso tempo, que continuam produzindo milhares de vítimas diariamente: racismo, homofobia, pedofilia, violência contra a mulher, tráfico de seres humanos; o drama da fome, da miséria, do desemprego, dos refugiados e migrantes; a falta de acesso à saúde, à educação, à habitação digna, ao saneamento básico; e, sobretudo, o câncer da corrupção política, que não poupou nem mesmo os recursos da saúde pública em meio ao caos da pandemia no Brasil. Mas essa lista interminável dos pecados sociais, pessoais e até eclesiais não pode ser motivo para minimizarmos a gravidade da violação da vida humana, nem no caso do aborto nem em qualquer outro contexto.
    Antes, pelo contrário, o problema ético do aborto é o símbolo máximo do imperativo moral cristão da defesa, promoção e cuidado da vida humana, pois o feto é o ser humano na sua condição mais frágil, dependente e indefesa. Trata-se da opção ética por excelência em favor da vida; o direito humano fundamental, base de qualquer
    outro direito que se possa pretender. Neste setembro amarelo, queremos refletir ainda mais sobre o cuidado com a vida, diante do drama do suicídio que oprime a vida
    de milhares de pessoas e famílias. 
    Neste mês especialmente dedicado a Bíblia, queremos rezar pela nossa Pátria, pelo nosso povo brasileiro, que sofre as duras consequências da pandemia. À luz da Palavra de Deus, precisamos recolocar a defesa da vida humana como o pilar ético da nossa Nação, compreendendo que um País somente é soberano e livre quando todas as vidas importam. A vida da mãe e a vida do feto: as duas vidas! A vida do negro, do idoso, do pobre: todas as vidas! Que o “Evangelho da Vida” seja a nossa opção ética inegociável. 

    Pe. Eleandro Teles

     
    Indique a um amigo
     
     
    Mais artigos