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    Sobre a alegria

    O almejo de todo o homem está em conquistar a felicidade. É o grande elo de unidade entre toda a humanidade. Não há quem, fazendo o que faz, não busque como fim último a alegria. A experiência humana, e especialmente da nossa fé, tem muito a nos falar sobre como alcançá-la da forma mais plena possível. A primeira (e para nós, óbvia) via de acesso a ela é a relação amorosa com a Trindade. Se dá na vida cotidiana e na oração. Dentro e fora desta. Este é o princípio de toda a alegria. No batismo, o Cristão, renascido espiritualmente do Pai, em Cristo, por obra do Espírito Santo, estabelece um vínculo profundo de amizade com as três Pessoas divinas. Mas somos apenas nós batizados a nos interessarmos por uma proximidade maior? Negativo. Quem ama é ágil e corre em direção ao amado. Deus nos ama infinitamente, e é assim que corre ao nosso encontro. Toda a Trindade está empenhada em trabalhar pela alegria do homem. É incansável! Especialmente, o motivo de alegria mais íntima e
    transbordante, ultrapassando toda a compreensão, é dado pelo Espírito Santo. Ele habita em nós. A alegria mais formal existente e mais próxima daquela que existe
    na Trindade é aquele gemido filial que o Espírito de Cristo faz subir ao coração do filho de Deus: Abba, Pai! É esta a alegria mais perfeita que qualquer criatura na terra pode desfrutar. É essencial recordarmos que a partir da Revelação, é o quão incomunicável com a vida cristã é qualquer sabor de melancolia, desconfiança ou desânimo. De certa forma, o cristão e a alegria analogamente se identificam. Nada é mais anticristão do que a tristeza. O apóstolo cristão é sempre portador da alegria. Ainda, essencial lembrar que caminho para a alegria é a liberdade, a espontaneidade e o impulso que brotam do Espírito. Nada é forçado, nada imposto a partir de fora.
    O batizado, com a virtude infusa da esperança, se alegra por aquilo que há de vir. Se alegra com a promessa da Vida Eterna. Recebe desta uma mudança interior 
    profunda, tecendo nova relação com o tempo e o espaço. Esta vida, é tida como véspera da vida futura, vivida com aquela santa ânsia na expectativa. Essa alegria
    é tão profunda, que é capaz de superar e vencer até o sofrimento. Não o suporta, mas o abraça generosamente confiando na Trindade que o permite. “Os sofrimentos do
    tempo presente não têm proporção com a glória que deve ser revelada em nós” (Rm 8, 18). Finalmente, a alegria também se encontra na conformidade à vontade de Deus. Este é o problema mais importante e decisivo da vida. É sábio depositar todos os esforços a fim de extirpar todos os afetos desordenados e, uma vez tirados, de procurar encontrar a vontade de Deus através da orientação da própria vida. Somos feitos para a alegria. Ela é a nossa salvação. Para ela Jesus veio. Nos quer plenamente realizados. Que tal aceitarmos Seu convite?

    Pe. Daniel D’Agnoluzzo Zatti

     
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