Na liturgia da Igreja, o Dia de Finados é a “Comemoração de todos os fiéis defuntos”, ou seja, aqueles que já entraram na plena comunhão de amor com Deus,
que chamamos “céu”, mas também aqueles que ainda não entraram nesse estado de plenitude. A doutrina da Igreja ensina que quem morre em “estado de graça”, ou seja, sem pecado, vai direto para o céu. Isso porque no céu não há pecado, só graça. O céu é a plenitude do amor, porque é a plenitude de Deus, e Deus é Amor puro. Portanto, no céu não poderá entrar nada que não seja somente amor. Mas analisando a nossa vida, fazendo um exame de consciência, será que, quando morrermos, tudo em nós será 100% amor? E quem não estiver totalmente pronto para entrar no céu? Quem tiver levado no seu coração alguma situação ou sentimento que não esteja totalmente de acordo com a vontade de Deus, com os seus mandamentos? São Paulo nos ensina que no dia do juízo individual, ou seja, quando tivermos que comparecer “perante o tribunal de Cristo”, para prestarmos contas de tudo aquilo que fizemos nessa vida, poderemos passar por uma “purificação final”.
É o que a Igreja chama de “purgatório”, que significa justamente “purificar”, limpar a sujeira do mal que ainda tenha ficado em nosso coração, arrancar qualquer raiz
de pecado que ainda tenha ficado em nós. O purgatório não é um lugar, mas uma experiência da misericórdia de Deus que nos transforma e converte definitivamente.
No purgatório não há tempo, pois já estamos na dimensão da eternidade de Deus, por isso não faz sentido perguntar quanto dura o purgatório de uma pessoa. Uma
imagem pode nos ajudar a compreender o seu sentido: o purgatório é a chegada no céu, e, nessa chegada, Deus nos recebe com um abraço capaz de “queimar” em nós, com o fogo do seu amor, tudo aquilo que não foi bom e ainda carregamos. É uma experiência dolorosa, porque é a dor da conversão, do perdão, da transformação radical do ser. É a mão de Deus que arranca o resto de joio que ficou misturado no meio do trigo e o queima, na colheita final de nossa vida.
A oração pelas almas do purgatório, especialmente a celebração da Eucaristia e as indulgências, são os meios que nós temos para ajudá-las a “passar” por essa
purificação final. A morte não é uma barreira que nos impede de ajudar as pessoas que já partiram, assim como aqueles que estão no céu, na presença de Deus, também
nos ajudam, intercedendo por nós. É pela oração e pela caridade que podemos ajudar os que atravessam o seu purgatório. Rezar pelos vivos e pelos falecidos é uma
grande obra de caridade, de misericórdia. Pelo poder do Espírito de Deus, a oração é capaz de alcançar o coração daqueles que já partiram, para ajudá-los a chegar no
destino. Através da nossa oração, Jesus, que é o mediador entre o céu e a terra, faz chegar até eles a nossa gratidão, o perdão, a reconciliação, o amor que faltou para
entrarem na plenitude do Amor.
Pe. Eleandro Teles