OS DESAFIOS DO SER
Tudo à nossa volta é relativo ao
nosso olhar. O que sentimos passa pela forma como concebemos o mundo que
construímos em nossa interioridade. A longa jornada de nosso ser é edificada
por uma imensurável fluidez de situações, sucessivos momentos que foram se
desenrolando desde o ventre materno.
Cada abraço, olhar, encontro,
brincadeira, aprendizado, leitura e outros tantos foram sedimentando e até
somatizando o que somos no presente e certo que tem razões nas projeções para o
nosso futuro. Contudo cabe a nós posicionar a existência no caminho da
realização pessoal e coletiva.
A dinamicidade dos dias atuais
impõe ao ser uma postura de altivez. Necessárias posturas para dar retorno às cobranças,
pressões e outras discrepâncias. O esperado seria, o ser estar de tal forma
trabalhado para o enfrentamento. Na realidade sabemos que nem sempre estamos
preparados.
Com o tempo descobrimos que as
demandas vão se conformando e ajustando o ser para a adaptação. Bom perceber
que nos ajustamos a cada circunstância, para o bem ou para o mal.
A pressão ao indivíduo para que
se desenvolva e se torne útil para o mundo, tem performances de crueldade e
temos visto que o ser não está mais para o mundo e sim o mundo deverá se tornar
para o ser. As imposições ao ser tendem a jogá-lo para o utilitarismo que leva
benefícios a uns poucos.
A revolução acontece quando o ser
percebe que ele deve primeiro dar razão à sua interioridade, que, sadiamente
procura a edificação de seus sonhos. Deve auscultar a si. Não somos uma
cultura, que tem em si claro esses processos de percepção de si mesmo.
O empoderamento do indivíduo tem
girado em torno de si e desenvolvido prismas que são um engodo em si mesmo. Não
é no individualismo, nem mesmo no narcisismo, muito menos no egocentrismo que o
ser encontrará caminhos para a sua realização. Isso só tem isolado o ser que
nasceu para as relações. É nas relações interpessoais que ele se revela aos
outros e se descobre capaz de muito mais.
Isaias Pablo Klin Carlotto