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    Onde Me procuras?

    Peregrinos, nós cristãos temos uma busca sempre presente. Sabemos que estar com Jesus Ressuscitado é a única forma de nos saciar. Sabemos que devemos ir a Ele para curar nossas enfermidades. Sabemos que, curados, Ele nos oferece outros lugares onde O procurar. Tivemos uma Páscoa diversa da do ano anterior. Difícil dizer se mais fácil ou menos. Claro é que ainda longe de uma “feliz Páscoa”. Parece que ainda paira no ar aquele vento quaresmal, e não da quaresma deste ano, mas da de dois mil e vinte ainda. Este longo tempo de jejum, oração e esmola, imposto não pela liturgia da Igreja, mas pela da vida, traz um enorme desafio a quem tem a busca por Jesus como itinerário existencial. Aos aflitos e tristes, Jesus mesmo quer perguntar: “onde me procuras?”. Jesus está conosco pluralmente. Uma tentação corrente em grupos da Igreja é a de identificar apenas um lugar onde o buscar: ou só na Eucaristia; ou só no Pobre. Essa polarização nunca é gerada por busca sincera e humilde. É busca fechada numa ideia, e não aberta ao amor. A presença de Jesus no mundo é muito maior do que as pequenas capacidades humanas podem sondar e limitar. O Deus revelado por Jesus não é aquele que põe barreiras para ser conhecido e alcançado. Não é o que nos põe em labirintos complexos para encontra-Lo. Nosso Deus é um Deus disponível e ao alcance. Próximo dos que O buscam. Perto daqueles que O desejam, mesmo distantes dos templos e dos sacramentos. Estes, por sinal, são presentes de Sua bondade, e não condicionamentos para o encontro. “Onde me procuras?”, pede Jesus. Lendo Sua vida, Ele aponta para a resposta. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”, nos recorda o evangelista João. O amor de Jesus se encontra sob muitas formas: com coração misericordioso, perdoando mesmo os que não tem capacidade de reconhecer suas culpas ou coragem de pedir perdão, O encontramos; na oração diante da Cruz, diante de Maria e de todos os Santos, O encontramos; no anúncio criativo de Sua Boa Nova, O encontramos; no preparar a marmita para o faminto, chamando o indigente de irmão, O encontramos; nas desolações do corpo e do espírito, oferecidas a Ele como participação de Sua Cruz, O encontramos; na coragem de viver na lucidez, assumindo a Cruz dos efeitos desta pandemia, O encontramos. É na fé do Cristo Ressuscitado, o lugar fundamental de onde parte nossa caminhada. É somente aí, e em mais nenhum outro lugar, que encontramos forças para nunca parar de O buscar.

    Pe. Daniel D’Agnoluzzo Zatti

     
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