Desde 1981, o mês de agosto foi assumido pela Igreja Católica no Brasil como ocasião de refletir e recordar a vocação cristã. Esta é o resultado do encontro entre o chamado (a proposta) feito por Deus e a resposta que o ser humano é capaz de lhe dar. O chamado de Deus é primeiro dirigido ao povo de Israel, destinatário da eleição. Este povo que estava vivendo a dura realidade da escravidão no Egito recebe a proposta de caminhar para uma Terra Prometida na qual será possível viver em liberdade. E, a partir da eleição do povo, Deus dirigirá seu convite a pessoas concretas que serão encarregadas de uma missão, uma responsabilidade para ajudar o Povo de Deus em sua caminhada. Se meditarmos um texto de São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (12, 1-11) poderemos entender um pouco melhor o valor de colocarmos em comum os dons que nos foram concedidos para o exercício de nossa vocação. Ali se recorda que, por ocasião do Batismo, cada pessoa é agraciada pelo Espírito Santo. Esta verdade de nossa fé traz duas consequências muito importantes que gostaria de destacar. A primeira delas é que nenhuma pessoa batizada pode sentir-se privada
de dons, assim como ninguém pode pretenderse possuidor de todos eles. Estes foram repartidos pelo Espírito Santo conforme a sua vontade. A outra consequência vem da recordação de que a manifestação do Espírito é dada a cada pessoa para o bem comum. Assim, se guardo os dons que recebi, não somente fico mais pobre, mas empobreço radicalmente as pessoas que convivem comigo. Isto acontece porque não receberam o dom que me foi concedido e dele necessitam para seu crescimento
na fé. Amados e chamados por Deus é o tema que orienta a reflexão em 2020, inspirado na palavra dirigida ao profeta Isaías: És precioso aos meus olhos... eu te amo (43,4). Recorda-se assim a iniciativa de Deus, voltando o seu olhar de amor a cada pessoa humana. E, é acolhendo este amor sem medidas, que poderemos manifestar, em favor dos outros, um pouco deste presente recebido.
Pe. João Masiero