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    Maria, Rainha dos lares

    A Santa Igreja Católica, com sua bimilenar tradição, carrega consigo inumeráveis tesouros, numa deslumbrante multiplicidade, que passamos uma vida sem podermos conhecê-los todos. Dentre os mais preciosos, está aquela à qual todos fazem alguma alusão: Maria de Nazaré. Referida com muitos títulos, destaca-se aquela fundamental, que dá sentido inclusive às suas aparições: a dada por Jesus na Cruz: “eis a tua mãe”.
    É nossa mãe. Esse é o primeiro vínculo que Jesus criou entre ela e a humanidade. É fruto do segundo grande sim de Maria. O primeiro, quando da anunciação do anjo Gabriel. O segundo, quando Jesus anunciou sua maternidade universal. Do alto do madeiro e no ápice da Revelação, Jesus coroou os sinais de seu amor por nós. A entrega de sua mãe estava entre eles. O sim de Maria abraçou todos aqueles por quem seu filho estava por entregar a vida.
    Em nossa paróquia, celebramos neste mês a festa das capelinhas. É uma alegria termos essa devoção mariana, cujos frutos silenciosos colhemos na medida em que acolhemos Maria em nossas casas, no sinal da visita de sua imagem. Vê-se muitas famílias que na chegada da Mãe, colocam-se unidos diante dela, que desfaz conflitos, rancores e reconcilia. A chegada da Mãe da Misericórdia regenera vínculos que pelo pecado são comprometidos. Ela nos ensina, após cada “aparição” ao entrar pela porta de nossa vida, que voltar o olhar de cada membro da casa para ela, tudo muda e melhora. A família que a coroa como Rainha de seu lar, jamais se separa e realiza a vocação dada a cada um por Jesus.
    Outro fruto da visita da capelinha é tornar mais sensível nosso coração a esse presente de Jesus. Quem se deixa cativar por Maria, quer conhecê-la melhor. Quer amá-la mais. Existem tantos escritos importantes dela. Poderíamos sugerir o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria”, de São Luís Maria Grignon de Montfort; “As Glórias de Maria”, de Santo Afonso Maria de Ligório; e a Encíclica “Redemptoris Mater”, de São João Paulo II, para quem quer amar Nossa Senhora do jeito de Jesus.
    Ainda, a visita de Maria em nossa casa nos impele a rezar pelas vocações. É muito belo quando desde cedo, os pais falam a seus filhos, com liberdade, abertura e sinceridade, sobre as diversas vocações existentes em nossa Igreja. Todas elas queridas por Jesus, que a cada um chama de maneira única e irrepetível. Hoje, infelizmente constatamos que as vocações não têm surgido no seio familiar, mas sempre em contexto comunitário. Embora isso diga da importância da comunidade, fala também da fragilidade do tema em âmbito familiar. Rezar pelas vocações em família, aos pés de Nossa Senhora, ousando falar sobre o sacerdócio, sobre a vida religiosa, além da vida matrimonial, é hoje sinal profético de que cada família pode e deve dar. Jesus e Maria não esperam menos do que isso. Faço um convite ao leitor do artigo que chegou até aqui. Reze hoje, com sua família, ao menos três Ave-Marias: uma para a tua casa, outra para as vocações, e a última pela tua devoção à Rainha do teu lar. Arrisco: quem sabe, rezar algumas vezes por semana - com todos de casa - o Terço juntos?
    Rainha das famílias, rogai por nós.

    Pe. Daniel D’Agnoluzzo Zatti

     
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