O Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, apresenta alguns entraves que podem desviar nossas atenções na busca da santidade. Fala do Gnosticismo e Pelagianismo. Vamos definir o que nos dizem estas palavras.
Gnosticismo é “uma fé fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam”. E Pelagianismo, a pessoa só confia nas suas próprias forças e sente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a um certo estilo católico.
Frequentemente nos deparamos com pessoas que argumentam não necessitar de aprofundamentos, de estudos, porque lhe basta o que já sabem. O estudo, buscar novos conhecimentos, tem sido uma “pedra no sapato” para muitos, porque afirmam saber o suficiente. Ora, quanto mais nos aprofundamos, notamos que menos sabemos.
Além do mais, sentir-se “donos da verdade”, reflete-se na sociedade que temos. A humildade deve fazer parte da história de cada um. Reconhecer que pouco sabemos e que necessitamos de ajuda para construir nossas vidas, edificaremos uma sociedade melhor, onde o amor verdadeiro, a entreajuda, a solidariedade são os propulsores das ações de qualquer um.
O gnóstico julga os outros segundo consegue, ou não, compreender a profundidade de certas doutrinas. Ainda, este mesmo, exaltando o conhecimento ou determinada experiência, considera que sua própria visão da realidade seja a perfeição e, quando não se disfarça de “espiritualidade enganadora”.
Ainda há cristãos que insistem em seguir outro caminho: “o da justificação pelas suas próprias forças, o da adoração da vontade humana e da própria capacidade, que se traduz numa autocomplacência egocêntrica e elitista, desprovida do verdadeiro amor”, diz o Papa Francisco.
Este contexto espelha-se em muitas famílias, pais sentindo-se autossuficientes passam aos filhos conhecimentos baseados no seu entendimento, às vezes com pouco ou nada de aprofundamento, ou bases sólidas. Nosso exemplo de pais deve ser alicerçado na verdade que é Jesus, vivido pelos ensinamentos do Evangelho da vida.
Finalmente, nossa primazia pertence a Deus, que é o centro de toda a história. Ele é o amor. São Paulo diz que o que conta é “a fé agindo pelo amor”. Somos chamados a cuidar solicitamente da caridade: “quem ama o próximo cumpre plenamente a lei. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da lei” (Rm 13,9.10). “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gal 5,14). (GE, 60)
Pensemos nisto
Paulo Poletto