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    Festa, alegria, esperança...

    Ao longo desses meses de distanciamento social e tantas restrições por causa da pandemia da Covid-19, muitas pessoas afirmaram em vários momentos - e eu - que
    todo esse sofrimento que estamos enfrentando poderia nos tornar pessoas mais sensíveis e conscientes, mais humanizadas. A pandemia deveria fazer emergir o melhor
    de nós: altruísmo, solidariedade, responsabilidade, amor ao próximo. Mas parece não ser exatamente isso que está acontecendo com uma grande parcela da população.
    Em não poucos casos, a pandemia mostrou o pior lado das pessoas, fez emergir o pior de nós: a irresponsabilidade, a indiferença diante do sofrimento dos outros, a mediocridade de quem só pensa em si mesmo, nas próprias vaidades e vontades. As “festas” desse final de ano confirmaram a nossa triste situação. Realmente, não há
    nada a festejar e há muito a lamentar e chorar. 
    Lamentar o descaso e a irresponsabilidade de centenas e milhares de pessoas, especialmente jovens, que promoveram e participaram das absurdas aglomerações
    que vimos acontecer em tantos ambientes públicos e privados, nas praças, praias, clubes ou na casa do vizinho.
    Lamentar a indiferença dessas pessoas inconsequentes diante da ameaça de colapso dos hospitais, com as UTIs lotadas e profissionais da saúde trabalhando no limite do estresse e do esgotamento emocional e físico. Enquanto esses verdadeiros heróis do nosso tempo arriscam suas próprias vidas para salvar vidas, outros colocam em risco a vida do próximo, dos amigos, de seus familiares, especialmente os idosos, e as suas próprias. Que festa é essa?
    O que vimos não foram festas, foram manifestações de desespero, aglomerações de quem perdeu a esperança, o respeito, o juízo. Na passagem do ano, muitos brindaram à morte, não à vida. Festejar é outra coisa... uma festa verdadeira supõe, em primeiro lugar, uma atitude de compromisso e cuidado com a vida. Uma
    festa de verdade é expressão de esperança e alegria, não de alienação e fuga diante dos problemas da vida. A esperança não aliena, o desespero sim. O que assistimos foi o grito desesperado de uma geração que perdeu a esperança e a alegria verdadeiras, porque antes já perdera o sentido da vida. A verdadeira festa aconteceu de outra forma: responsável, contida, serena, profunda. Foi com poucas pessoas, as mais importantes, aquelas que realmente amamos e queremos vivas, no aconchego e segurança de nossos lares, no seio de nossas famílias, onde a vida é respeitada e cuidada. Um brinde à vida! Abençoado ano novo, pleno de esperança e alegria!
    Pe. Eleandro Teles

     
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