Convido você a analisar comigo o porquê de tantas pessoas, noivos, não demonstram, muitas vezes, interesse para o matrimônio. Uma das razões mais fortes de fracasso no casamento é uma expectativa excessivamente alta que os noivos têm ao casar-se. O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Amoris Laeticia, aponta fatores
que influenciam a criação de tais expectativas.
1. Influência da mídia - A publicidade falaciosa e consumista (AL 135), procura apresentar uma imagem perfeita demais da família e que raramente corresponde à realidade. Criam ideais que alimentam imagens falaciosas, e que são apresentadas como paradigmas do casamento ou da família perfeita. Raramente aparece a complexidade das tarefas diárias, muitas vezes estressantes. Procuram apresentar uma faceta da vida familiar e levam a concluir sempre um final feliz para as tensões e conflitos fictícios. Quando comparados à realidade da vida do casal, acabam levando a frustações ou decepções.
2. Influência da família -“uma relação mal vivida com os seus pais e irmãos, que nunca foi curada, reaparece e danifica a vida conjugal” (AL 240). Uma noção errônea sobre o amor cria expectativas demasiadamente altas para a vida dos dois. Experiências da família de origem do noivo e da noiva, “velhas feridas”, podem afetar o
relacionamento e a vivência matrimonial.
3. Influências individualistas - “Há que considerar o crescente perigo representado por um individualismo exagerado que desvirtua os laços familiares e acaba por considerar cada componente da família como uma ilha...” (AL Relatório final). A sociedade moderna muito tem realçado na satisfação dos desejos individuais, não importando as relações existentes. O Papa chama atenção ao exagero, como ponto fundamental para frustrar as expectativas do esposo(a). O Papa Francisco chama atenção dos noivos para a aceitação das diferenças, como forma de libertar-se do egoísmo. Assim, a paciência e o cuidadoso desapego só tomarão forma quando “reconheço que o outro, assim, como é, também tem direito a viver comigo nesta terra... O amor possui sempre um sentido de profunda compaixão que leva a aceitar
o outro como parte deste mundo, mesmo quando age de modo diferente daquilo que eu desejaria.” Neste sentido, o amor “não é invejoso”, mas, ao contrário, aprecia os pontos fortes e alegra-se com os méritos do cônjuge. A vida matrimonial vivida no amor, na paciência, na entreajuda, dá sentido à vida e transforma as pessoas com vista ao bem comum.
Pensemos nisto.
Paulo Poletto