A vida tem sentido, ou melhor, qual o sentido da vida? Uma pergunta deste gênero acredita-se, que toda e qualquer pessoa de sã consciência se faz ou já se fez, em algum momento de sofrimento e dificuldade na sua vida, ou até mesmo num simples pensar sobre o porquê viver. Pergunta como esta, em certas situações da vida parece complexa e difícil de ser respondida e muitas vezes a pessoa acaba acreditando que a vida realmente não tem sentido. E nestes últimos tempos muitas pessoas estão tirando conclusões desnecessárias acerca de suas próprias vidas. Estão perdendo a esperança, o sentido, a razão para viver.
A pergunta, porém, exige profundas reflexões voltadas para as razões de viver: viver para que, para quem e por quê. Toda pessoa humana, necessariamente, precisa ter um sentido ou uma motivação que a impulsione na vida. Esta motivação pode ser uma causa, uma pessoa, a família ou até mesmo colecionar qualquer coisa. Nem que seja algo simples, mas que de razões para viver.
O psiquiatra e psicólogo Victor Frankl (1905-1997) fundamentou sua teoria denominada logoterapia a partir do sentido da vida. O termo logos é uma palavra grega que significa sentido. Dai, portanto, o sentido da vida.
Frankl, no período entre 1942 a 1945, viveu em quatro campos de concentração, dentre eles, Auschwitz e Dachau. Nesses três anos, segundo ele, só saiu vivo dali devido a alguns motivos que o impulsionavam a viver, como, por exemplo, ver a esposa e o filho que estava para nascer, o desejo de redigir um livro sobre a sua teoria que, durante o campo, teve o manuscrito destruído.
Esses foram alentos que o mantiveram Victor firme na esperança de sair vivo do campo. Porém, a esposa grávida e seus pais foram mortos no campo, sem ele saber. No entanto, a experiência que teve nesses lugares foi de grande importância na sua vida pessoal e profissional, porque, posteriormente, foi professor universitário em vários países e escreveu diversas obras referentes ao sentido da vida que são um bem para a humanidade.
A sua teoria diz que uma pessoa, necessariamente, precisa ter no mínimo três motivos para viver: estar num trabalho ou estar realizando algo considerável, bem como sentir-se responsável por algo que depende de sua ação; estabelecer uma relação pessoal, ou seja, ser responsável por alguma pessoa, amar ou esperar por quem ama; e, por fim, no sofrimento inevitável manter a consciência de que, ao sair dele, a vida muita espera de sua contribuição. O sofrimento, portanto, não é motivo para desanimar e não pode ter a última palavra na vida de uma pessoa.
Atualmente, existem pessoas que não encontram um sentido para viver e estas são as mais propensas à depressão e ao suicídio, infelizmente. Lutar por uma causa não faz mal a ninguém e até prolonga a vida. Além disso, são compreensíveis aquelas pessoas, que a vida inteira, se dedicam a algo que para muitos parece insignificante, mas que lhes traz muita felicidade e prazer.
Estar fazendo aquilo de que se gosta já é um grande sentido para a vida. Por fim, é natural algum momento na vida certa tristeza e perda de sentido, mas isso não pode ser constante. Caso perceber algo diferente em seu viver, procure ajuda com alguém de sua confiança. Grite por socorro, não sofra calado, pois sempre tem alguém que se pode contar e falar daquelas dores que parecem vir da alma.
Judinei Vanzeto, Padre, Jornalista e Pároco da Paróquia São Roque de Coronel Vivida-PR