Nestes dias, mais precisamente em 08 de dezembro, completam-se 55 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, evento eclesial iniciado em 1962. Entre os melhores frutos que resultaram deste importante acontecimento está a renovação da liturgia, depois de um longo processo de aprofundamento. E uma das ideias-força neste caminho foi compreender, cada vez mais claramente, que no Mistério Pascal de Jesus Cristo está o centro de nossa fé. Quando dizemos Mistério Pascal estamos nos referindo à Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus, plenitude da salvação da humanidade. Se estes acontecimentos são o centro da fé, todas as realidades (a vida pública de Jesus, a sua vida escondida, e mesmo o seu nascimento) guardam sempre uma conexão com a realidade da Páscoa. E, na liturgia é sempre a Páscoa que se celebra.
Alguém pode achar estranho ouvir que no Natal estamos celebrando a Páscoa. Mas é assim mesmo. Para entender um pouco melhor esta afirmação convém lembrar primeiro a proximidade existente entre os dois locais: tanto o nascimento como a crucificação e a sepultura dão-se fora da cidade. O fato de José e Maria não encontrarem hospedagem já sinaliza a rejeição que chegará ao máximo por ocasião da morte no Calvário. E como não enxergar na manjedoura uma lembrança do túmulo em que o Crucificado foi posto e nas faixas que envolvem o recém-nascido o lençol com o qual Jesus foi enrolado para a sepultura?
É legítimo vivermos estes dias inundados pela satisfação e alegria, porque nosso Senhor e Salvador, o Filho Amado de Deus Pai vem partilhar nossa existência. E no meio desta alegria, recordemos a doação de sua vida iniciada na vinda até nós e completada quando de sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão ao céu, no seu Mistério Pascal. Se esquecermos isto podemos imaginar que estamos comemorando o aniversário de uma personagem histórica (e até mesmo cantarmos Parabéns a você) e não celebrando o nascimento daquele que desde sempre estava junto do Pai e veio armar a sua tenda entre nós, abrindo-nos o caminho para nosso retorno a Deus.
Pe. João Masiero