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    A partilha em tempos de dificuldade

    "Pois assim fala o Senhor: A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até ao dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra. A mulher foi e fez como Elias lhe tinha ordenado. E comeram, ele, ela e sua casa, durante muito tempo. A farinha da vasilha não acabou, nem diminuiu o óleo da jarra, conforme
    o que o Senhor tinha dito por meio de Elias” (I Reis 17,14-16). O texto acima mencionado é o cumprimento da promessa que Deus faz à viúva de Sarepta, através do Profeta Elias. Fazia uma grande seca na região e o profeta Elias foi buscar sustento na casa de uma viúva que morava com seu filho. Elias sofre com a sede e a fome. Pede aquela mulher um pouco de água e um pedaço de pão. Através do diálogo com o profeta, podemos ver que a situação daquela mulher era muito difícil: “Juro, pela vida do Senhor teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim
    de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperarmos a morte” (I Reis 17, 12). A situação de sofrimento era muito grande para aquela viúva e seu filho. Um pouco de farinha e um pouco de azeite era tudo o que aquela mulher tinha para oferecer ao profeta. Elias promete que nada lhe faltará, oferecendo
    como garantia a Palavra do Senhor. O pão foi feito, partido e repartido e o milagre aconteceu. A tática de Deus (partilha) se manifesta através dos pobres e necessitados. “A fome se acaba e a vida é restaurada no gesto da partilhar com aqueles que são capazes de compartilhar o pouco que têm. Deus não deixa faltar nada para aqueles que estão dispostos a repartir. Milagre é a disponibilidade em servir e se colocar como oferta simples e disponível a Deus naquelas circunstâncias em que somos chamados
    a partilhar” (Pe Jerônimo Gasques). A multiplicação dos pães nos lembra isso: “Vós mesmos, dai-lhes de comer” (Mc 6,37). Esse é o milagre. A pandemia do coronavírus expõe a cada dia mais o drama de muitas famílias através do desemprego, a fome, a doença. O pavor, a preocupação fazem o coração de todos saltitar na angústia
    de ver dias melhores. É nessa hora que Deus nos fala através da viúva de Sarepta. A princípio nada ou pouco se tem. E naquilo que é tão pouco para nós, se torna muito nas “mãos” de Deus, e o milagre acontece na partilha. Estamos aprendendo com o sofrimento. A cada dia mais nossos fiéis e nossas comunidades (Igreja) compreendem o dom da partilha, do dízimo e das ofertas. Nosso dízimo, representado quem sabe no pouco de farinha e azeite da viúva, é a base da mistura para fazer crescer a fé e a solidariedade em nossas comunidades. A viúva tinha um pouco, o Profeta Elias não tinha nada, apenas a ordem de Deus. O segredo foi revelado e o milagre aconteceu.
    Nossas comunidades estão aprendendo cada vez mais a cultivar a semente da fé através do dízimo e das ofertas. Por causa do coronavírus não foi mais possível os malabarismos antes feitos para manter a comunidade. Enquanto as promoções foram afastadas da comunidade por causa do vírus, a Palavra de Deus nos aproxima com o dízimo e as ofertas. A viúva de Sarepta vira realidade em nossas vidas e serve de fonte de inspiração. Dar o dízimo e a oferta do pouco que se tem, e a Igreja ser solidária, ajudando os mais pobres com o pouco de ofertas que recebe, e com isso, nada vai faltar. Além do mais, valem muito para nós hoje essas palavras de Jesus: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1). Creiamos no milagre da partilha e nada vai nos faltar.
    1. Enio Felipin

     
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