A caminhada do homem neste mundo nunca foi totalmente tranquila. Com dificuldade, acertando e errando, o homem vai conhecendo o ambiente em que vive e, com experiência, pesquisa e estudo vai construindo aquilo que chamamos de civilização. Hoje, no século XXI, está à vista de todos o progresso conseguido. É verdade que este progresso nem sempre vem em benefício de todos. Deixa miséria, doenças, sofrimento numa grande porção da humanidade e até degrada o meio ambiente, comprometendo o futuro.
Agora, para complicar, estamos sendo cutucados por um “minúsculo gigante” que está provocando uma convulsão. Minúsculo porque é invisível; gigante pela força que demonstra. Sem cerimônia mata pessoas, arruína sistemas de saúde, desconjuntura a economia, não só de um país, mas do mundo, provoca o desemprego, a fome, fecha escolas, igrejas, impede reunião de pessoas e, além de espalhar o pavor, obriga as pessoas a ficar dentro de casa.
O atual inimigo vem de uma família “Coronavírus” que já fez estragos na história. Aliás, vírus e bactérias não são meros coadjuvantes, mas personagens centrais da nossa história. Dizimaram populações, modificaram hábitos e provocaram acontecimentos que desviaram rumos e como subproduto, não menos trágico, espalham a confusão e o pânico.
Basta recordar a história árabe: “A peste ia a caminho de Bagdá quando encontrou Nasudin. Este perguntou-lhe: Aonde vais? A peste respondeu: Bagdá matar dez mil pessoas. Depois de um tempo, a peste voltou a encontrar-se com Nasudin. Muito zangado o mulah disse-lhe: mentiste-me; disseste que matarias dez mil pessoas e mataste cem mil. A peste respondeu: eu não menti, matei dez mil. O resto morreu de medo”. O não saber de onde vinha a contaminação obrigou a ciência a procurar a resposta. Foi-se descobrindo o mundo das bactérias e vírus, os hospedeiros que os transportavam como pulgas, ratos etc.
As doenças obrigaram a ciência a progredir. Hoje, apesar de todo o progresso os vírus e bactérias ainda provocam confusão, nos tiram do conforto, numa palavra: as pandemias criam pandemônios. O atual estado de coisas nos faz reavaliar o nosso modo de viver, os valores que cultivamos, a nossa relação com a liberdade nos faz refletir e, quem sabe, recuperar a fraternidade.
Um quadro de Picasso mostra um doente aos cuidados da ciência e da caridade. Nesta hora mais do que nunca o mundo precisa da ciência e da caridade; são gestos de amor inspirados no Evangelho de Jesus. Colocar a ciência a serviço das pessoas é amor puro. A caridade tem muitos nomes: fraternidade, da solidariedade e da compaixão. A realidade está aí escancarada e grita e quer ser vista.
O lema da Campanha da Fraternidade nos recorda: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele!”. Neste tempo de pandemia: quem cuida de si está cuidando também dos outros.
Pe. Nivaldo Piazza