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18/03/2017
CNBB pede atenção aos ecossistemas e ações em defesa da vida

O professor e pesquisador Ivo Poletto esteve na diocese de Caxias do Sul, nos últimos dias, para assessorar formações acerca do tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. Esse foi o mote escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para nortear a Campanha da Fraternidade (CF), durante a Quaresma de 2017. Natural do nosso município, Poletto já trabalhou na Comissão Pastoral da Terra e na Cáritas Brasileira.

Fez parte dos dois primeiros anos do governo Lula e assessorou o programa Fome Zero. Atualmente, desenvolve sua missão junto ao Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, que trabalha em conjunto com as pastorais sociais e a CNBB. De acordo com o pesquisador, os bispos do Brasil querem sensibilizar os católicos para os assuntos voltados à diversidade ecológica local. “O tema escolhido fala dos biomas brasileiros, mais intimamente a sua relação com a defesa da vida”, aponta.

Em 2016, a Campanha da Fraternidade – que era ecumênica, em parceria com outras igrejas cristãs – já falou sobre questões ambientais. À época se falou sobre o cuidado com o planeta, à luz da encíclica Lautato Si’, do Papa Francisco. Poletto explica como são escolhidos os temas quaresmais. “Cada vez que se fala sobre os aspectos da realidade, se olha para dois fatores: no que isso impacta na vida das pessoas e quais as possibilidades de superar essa problemática social, para melhorar as condições da vida. A Campanha da Fraternidade não é só de reflexão, mas de práticas concretas”.

Bioma – O território brasileiro é composto por seis ecossistemas: Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e o Pampa. O pesquisador faz uma relação dos biomas com o Gênesis. “Numa mensagem religiosa, a Bíblia fala na existência do Jardim do Éden. Na realidade, temos centenas de jardins do Éden no mundo inteiro. Poletto fala sobre a diversidade dos biomas, “na minha visão, são novos jardins, que receberam a vida de Deus. Esse mesmo Deus dá vida a esses espaços lhes concede a capacidade de gerar vida”.

“Cada bioma tem a sua própria história”, diz o professor ao falar da relação de solidariedade entre cada um desses ecossistemas. “O Cerrado, por exemplo, fornece condições climáticas mais equilibradas e abastece, quase que a totalidade, do Aquífero Guarani, o maior reservatório de agua doce subterrânea do mundo”. Ao falar sobre a corresponsabilidade dos biomas entre si, Ivo Poletto crê que existam sete, ao invés de seis: “nos meus estudos, percebo que a vegetação da costa litorânea é bem diferente da Mata Atlântica. Portanto, sugiro que exista a Zona Costeira e Marinha.

Prática – Poletto sugere algumas ações concretas, como a instalação de caixas d’água para o recolhimento da água da chuva. “Que tal pensar em utilizar a água da chuva para o vaso sanitário? Para molhar as plantas e a horta?”, provoca o pesquisador. Além disso, aponta a plantação de árvores nativas da região para restaurar o bioma. Outra indicação é a formação de uma rede de vizinhos para a instalação de placas fotovoltaicas comunitárias, que recolhem os raios solares e os transformam em energia elétrica.