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Notícias - Detalhes

 
17/01/2018
“Fraternidade e Superação da Violência”


A Campanha da Fraternidade 2018 (CF 2018) é realizada todos os anos pela Igreja Católica no Brasil

durante o período da Quaresma. A iniciativa é coordenada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos

do Brasil). A Campanha da Fraternidade tem como principal objetivo despertar a solidariedade de todos

os seus fiéis e também da sociedade brasileira, em um problema que envolve todos nós, buscando assim

uma solução. Todos os anos, são escolhidos temas relevantes. O deste ano é: “Fraternidade e superação

da violência, tendo como lema Em Cristo somos todos irmãos (Mt 23,8)”.


A CF 2018 é realizada em âmbito nacional, e envolve todas as comunidades cristãs católicas e ecumênicas

do Brasil. A Coleta Nacional da Solidariedade será realizada no Domingo de Ramos, dia 25 de março. A

arrecadação compõe o Fundo Nacional de Solidariedade e os Fundos Diocesanos de Solidariedade, onde

60% são destinados ao apoio de projetos sociais da própria comunidade diocesana, e os outros 40% restantes

compõem o FNS, que são empregados para o fortalecimento da solidariedade em diversas regiões do país.

Dom Leonardo Steiner, Secretário Geral da CNBB, ao apresentar o texto-base, diz: “Este ano a CF quer ser

um caminho pessoal, comunitário e social que visibilize a salvação paterna de Deus. Vivemos uma

realidade que, diariamente, demonstra que o ser humano perdeu a capacidade de viver como irmãos, e essa

realidade precisa com urgência ser resgatada”...“A superação da violência passa necessariamente pela

conversão dos nossos atos que pressupõe uma conversão do coração”. (CF 2018 Texto-Base n. 172).


Cartaz

Um grupo de pessoas com as mãos dadas, de diferentes idades e etnias, representando a multiplicidade da sociedade

brasileira é a mensagem exposta no cartaz da Campanha da Fraternidade 2018. Especialmente no Ano do Laicato, a

Igreja no Brasil convida a todos, por meio da CF, a refletir sobre a problemática da violência, particularmente em

como superá-la.


No cartaz, segundo o secretário-executivo das Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),

padre Luís Fernando, as pessoas que nele formam um círculo e unem as mãos indicam que a superação da violência

só será possível a partir da união de todos. “A violência atinge toda a sociedade brasileira em suas múltiplas esferas,

o caminho para superar a violência é a fraternidade entre as pessoas que se unem para implementar a cultura da paz”,

explica.


Com o tema “Fraternidade e superação da violência”, a CF 2018 além de mapear a violência, colocará também em

evidência as iniciativas que existem para superá-la, bem como despertar novas propostas com esse objetivo.  “A Igreja

no Brasil escolheu o tema da superação da violência devido ao crescimento dos índices de violência no Brasil. Esse

tema já foi discutido na década de 80, num contexto em que o país vivia a recessão militar e dentro desse contexto foi

possível mapear diversas formas de violência”, afirma padre Luís.


Ele explica ainda que o lema da CF “Vós sois todos irmãos” foi extraído do capítulo 23 do Evangelho de São Mateus,

no qual Jesus repreende os fariseus e mestres da lei, por suas práticas não serem coerentes com os seus discursos: “Os

fariseus e mestres da lei valorizavam a sociedade hierarquizada. Jesus propõe-lhes então um novo modelo mais

comunitário e fraterno “Vós sois todos irmãos”.


“O lema da Campanha da Fraternidade 2018 é um convite para a superação da violência por meio do reconhecimento

de que cada pessoa humana é irmão, é irmão e se assim o é então não se pode deferir contra ele (a) atos de violência”,

finaliza padre Luís.


Subsídios

Além do cartaz, todo ano a Igreja no Brasil disponibiliza subsídios e materiais para ajudar as comunidades, famílias e

cidadãos a vivenciarem o propósito da Campanha. Esses materiais estão à disposição do público no site da Edições

CNBB.


Padre Luís Fernando explica ainda que o principal subsídio é o texto-base que apresenta uma reflexão do tema a partir

do método ver, julgar e agir. Além disso, haverá ainda subsídios para alunos do ensino fundamental, médio e grupos

juvenis. Já para ajudar na oração quaresmal, uma vez que a CF é lançada durante este período haverá também

celebrações em família, via-sacra, vigília, eucaristia, celebração da misericórdia e celebração ecumênica.


Fonte: CNBB


Caminhos que abrem horizontes de

construção da paz e de superação da

violência


As periferias geográficas de que fala o papa Francisco coincidem com a reflexão proposta pela Campanha

da Fraternidade 2018 que, encarando o tema da violência, fala em seu texto-base da existência de territórios

marcados pela extrema violência. A Igreja no Brasil vai refletir sobre o tema e suas diferentes formas de

manifestação direta, indireta e institucional na perspectiva da sua superação e da construção de uma cultura

da paz.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência pelo uso intencional da força contra si mesmo,

contra outra pessoa ou contra um grupo de pessoas, de modo a resultar em dano físico, sexual, psicológico

ou morte.


Segundo o arcebispo de Brasília (DF) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),

cardeal Sergio da Rocha, há um clamor pela superação da violência, nas suas variadas formas, que tanto

sofrimento tem trazido ao povo brasileiro. “Com a CF 2018, esperamos poder envolver as comunidades e a

todos, estimulando a reflexão e a busca de soluções para a sua superação”, diz.


Guerra letal e silenciosa – O tema que está no centro das preocupações dos brasileiros figura nas pesquisas

que apontam o Brasil como um dos países mais violentos do mundo. A nota técnica do Atlas da Violência, de

março de 2016, fruto da parceria do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de

Segurança Pública, demonstra que apesar de possuir menos de 3% da população mundial, o país responde por

quase 13% dos assassinatos no planeta. Em 2014, o Brasil chegou ao topo do ranking, considerado o número

absoluto de homicídios. Foram 59.627 mortes segundo o Ipea.


Os números apontados pelo Mapa da Violência 2016, organizado pela Flacso, mostram que, no Brasil, cinco

pessoas são mortas por arma de fogo a cada hora. A cada único dia são 123 pessoas assassinadas dessa forma.

Essas cifras revelam que, no Brasil, ocorrem mais mortes por arma de fogo do que nas chacinas e atentados que

acontecem em todo o mundo. Contam-se mais homicídios aqui do que em diversas das guerras recentes. O

especialista em segurança pública Robson Sávio Reis Souza, professor da PUC Minas, chama a atenção para

o fato do Brasil ser o décimo país mais desigual, apesar de ser a oitava maior economia do mundo, de acordo

com o Relatório de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2016.

A desigualdade social, segundo ele, é um dos principais fatores do crescimento da violência no país. Com o

aumento da criminalidade a partir da década de 80, consolidou-se um contexto de impunidade que, somado

à maior procura por drogas ilícitas e a maior disponibilidade de armas de fogo, formou o ambiente no qual

se deu o crescimento dos homicídios e de outros crimes contra a pessoa e contra o patrimônio, explica o professor

que integra o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


Autor do livro Quem comanda a segurança pública no Brasil: atores, crenças e coalizões que dominam a

política nacional de segurança pública, da editora Letramento, diz que a violência no Brasil tem um caráter

seletivo. “A maioria das vítimas da violência são pobres, negros, jovens e moradores da periferia. É uma

violência seletiva. Não atinge a todos. No Brasil, há locais mais seguros que a Europa e mais violentos que

a Síria”, disse.

Um dado que exemplifica o caráter seletivo da violência citado pelo professor é o que aponta que entre

jovens de 15 a 24 anos, os homicídios são a principal causa de morte. Dados referentes ao ano de 2011

mostram a gravidade da tragédia. Naquele ano houve, em todo o país, mais de 52 mil mortos por homicídio.

Desse total, mais da metade das vítimas eram jovens (52,63%). Dentre tais jovens vitimados, a imensa

maioria era composta por negros (71,44%), majoritariamente do sexo masculino (93,03%).


Entre 2001 e 2011, os homicídios de mulheres cresceram 17,2%. Somente no ano de 2013, houve 4,8

homicídios por 100 mil mulheres, segundo o Mapa da Violência publicado em 2015. Tendo registrado

naquele ano 4.762 homicídios de mulheres – 13 homicídios diários, em média –, o Brasil ocupa a quinta

colocação, numa lista de 83 países. Ocorrem aqui 2,4 vezes mais homicídios de mulheres do que a média

internacional.


O presidente da CNBB, cardeal dom Sergio Rocha, reforça que a superação da violência necessita da ação

efetiva dos três poderes, especialmente da implantação de políticas públicas. “Os caminhos de superação

passam sempre pelo diálogo, pela misericórdia, pela justiça social e pela educação para a paz”, afirma.

O arcebispo lembra que nas campanhas da fraternidade, a palavra de Deus sempre ilumina e orienta o

caminhar da Igreja. Na CF 2018, reforça o cardeal, o lema “Em Cristo, somos todos irmãos”, motiva a

construir a fraternidade como caminho para alcançar a paz.


Fonte: Matéria publicada na edição nº 21 da Revista
Bote Fé da Edições da CNBB



Palestra

A Paróquia de Lourdes em parceria com a Paulus Livraria promove uma formação sobre a Campanha da Fraternidade.

Será no dia 02 de março, às 19h30min, no salão paroquial. O palestrante, Pe. Anésio Ferla, é mestre e doutor em

Teologia Moral; autor do livro Escolhe pois a Vida (segundo os textos-bases das Campanhas da Fraternidade da Igreja

do Brasil); e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Misericórdia de Porto Alegre. A atividade é gratuita, destina-se às

lideranças e aberta para a comunidade em geral.